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NOTA DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA UFCA SOBRE O CONTEXTO ATUAL DA CRISE POLÍTICA NO BRASIL

 
08/02/2018
 
Atualizado em
22/03/2022

Imbuídos dos propósitos de defesa e fortalecimento das relações democráticas em todos os seus níveis e aspectos e do ethos republicano sob a qual se funda a constituição do Campo de Públicas, o Curso de Administração Pública da UFCA, vem externalizar um posicionamento quanto aos últimos acontecimentos no cenário político nacional, conclamando os nossos estudantes, professores, a comunidade universitária e a sociedade de forma geral, a uma reflexão que transcenda ao jogo de interesses e aos discursos fáceis e oportunistas que reverberam nesse momento de tensão em que vive a sociedade brasileira. 1. O embate entre interesses opostos é peculiar da atividade política em sociedades democráticas, mas deve ser interpretado à luz das reflexões teórico-práticas e de um profundo senso crítico e analítico, o que demanda um esforço de ir além das aparências dos fatos e nos desafia a um engajamento social e político, respaldado em princípios éticos. 2. O momento político atual apresenta características dramáticas marcadas pela crise de representatividade política e institucional; disputas entre interesses econômicos e políticos; rivalidades de classes e preconceitos de vários tipos, com uma forte tendência aos extremismos. Compreender as motivações dos atores e as estruturas sociais nas quais eles se inserem é fundamental para se ter uma noção do todo. 3. Todas as formas de manipulação dos fatos, seja através da deturpação deliberada, da negligência na apuração, da parcialidade da informação ou da espetacularização da política, devem ser contestadas com veemência pelos meios legítimos da participação social e contrapostas aos princípios constitucionais do Estado Democrático de Direito. 4. As manifestações que ensejam posicionamentos ideológicos devem ser clarificadas e expressas com respeito à liberdade de expressão e de associação, desde que não firam a integridade física, moral e psicológica de cada indivíduo e de seus coletivos organizados. 5. O aperfeiçoamento da democracia depende da ampliação da participação direta da sociedade civil nos mecanismos de governança democrática, expandindo e diversificando as formas de controle social a fim de prevenir e combater a corrupção institucional e outras formas corroídas de exercício do poder. 6. A corrupção presente em todos os poderes da República, nas organizações públicas e privadas e na cultura política do nosso país, não é apenas um desvio de conduta individual e sim uma forma institucionalizada e estratégica de exercício do poder que beneficia pessoas e grupos, estando associado a diferentes práticas criminosas. O seu enfrentamento só será possível com uma profunda reforma política e moral a ser mobilizada com ampla participação social e política dos setores progressistas da sociedade. 7. A luta a favor do fortalecimento e ampliação da democracia, não se confunde, nem se reduz à defesa de um partido, lideranças políticas ou Governo. Porém, os ataques recentes à democracia têm se materializado em ações contra o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma e o PT, fazendo uso de práticas semelhantes à de contextos pré-golpe de Estado e pondo em cheque as próprias Leis e a ordem Constitucional. 8. Somos contra o Impeachment da Presidenta Dilma por entendermos que não existem motivos suficientes para tal e está sendo conduzido de forma ilegítima assim como nos solidarizamos com o movimento #NÃO VAI TER GOLPE# por acreditarmos que agrega valores, práticas e sentimentos identificados com a defesa da democracia na conjuntura atual. Juazeiro do Norte-CE, 23 de marco de 2016. Colegiado do Curso de Administração Pública da UFCA.

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